Abertura do MAAT, o novo museu de Lisboa

 O novo Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia abriu finalmente as suas portas e vai ter entrada livre até março de 2017. A elegante concha criada pela britânica Amanda Levete é uma escultura arquitetónica que, dizem, pode redefinir o perfil da cidade – uma pérola a descobrir na boa onda agora vivida na capital portuguesa. 

 

 

O que pode fazer um museu por uma cidade? Olhando para o skyline de várias capitais internacionais que apostaram fichas na “arquitetura-estrela” a resposta pode estar mais próxima de um efeito pop à la Jeff Koons do que do impacto causado por um tranquilo aguarelista de 1900. O novo MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, projeto ambicioso que fundiu o património, identidade e coleção da Fundação EDP, ali mesmo ao lado do Museu da Eletricidade, enquadra-se facilmente nessa categoria: o edifício de linhas longilíneas, alçado sobre a frente ribeirinha como uma imensa criatura orgânica com escamas de cerâmica refletoras da luz, é uma obra arquitetónica espetacular, da autoria da britânica Amanda Levete (ler mais no final do texto), capaz de reconfigurar vivências urbanas. E a avaliar pelas expectativas geradas, dentro e fora de portas, a fatura de construção orçada em 20 milhões de euros é um investimento bem sintonizado com o momento que se vive.

“Esta é uma obra importante: introduz uma arquitetura excecional, como foi o caso da Casa da Música, que até era mais radical do que o Centro Cultural de Belém quando este foi construído. E isso poderá ser um dos motivos que levará à visita do MAAT por muita gente: sabemos que o turismo arquitetónico funciona como um incremento”, diz Pedro Gadanho, arquiteto e ensaísta que trocou o prestigiante cargo de curador no departamento de design e arquitetura do MoMA – Museum of Modern Art, em Nova Iorque, pelo desafio de dirigir o MAAT. E acrescenta: “Podemos estar a falar, aqui, de um caso que vem na tradição do efeito [Museu] Guggenheim em Bilbao. Mas com um edifício mais contido em termos de linguagem e de presença na cidade.” É uma comparação significativa: o museu concebido por Frank Gehry caminha, desde a sua inauguração há perto de duas décadas, para a marca dos 20 milhões de visitantes, que reativaram o tecido cultural e económico da região.

“O convite para desenhar o MAAT veio out of the blue”, confessou Amanda Levete em entrevista recente à Newsweek. A arquiteta britânica explicou-se melhor: “Não houve uma competição. A nós, pareceu-nos fantástico que uma companhia de utilidade pública quisesse derrubar as barreiras da arte e da arquitetura. E o que tem sido particularmente especial é que a EDP não queria um design icónico exibicionista”. Levete olhou para o rio durante o desenho do museu. “O projeto centrou-se em reavivar e moldar a margem do Tejo e religá-la com a cidade. Durante décadas, a linha de comboio dividiu rio e cidade. Portanto, nós ligaremos o MAAT e a central elétrica às ruas históricas de Belém com uma ponte que curva sobre a estrada e os carris, trazendo os visitantes para o espaço do museu.” E, depois, havia a tal “incrível luz mediterrânica” de Lisboa, que faz igualmente parte do resultado.

A fulgurante inauguração vivida no dia 5 não implica que as gruas tenham sido todas devolvidas à proveniência: o MAAT estará concluído apenas em março de 2017. Mas, até lá, o museu estará a funcionar plenamente, a começar por quatro exposições patentes, das quais fazem parte a grande mostra The World of Charles and Ray Eames, emblemáticos designers do século XX, ou a abertura do espaço à 4ª Trienal de Arquitetura de Lisboa.

A abertura do MAAT coincide com o momento estelar vivido por Lisboa: nunca a capital portuguesa foi tão visitada, elogiada, citada em rankings de toda a espécie. E referida como hub criativo. Não se estranha que, para o sucesso do MAAT, Pedro Gadanho leve em conta os turistas: “Está a haver um crescimento turístico, muito baseado num turismo de city break, e que, ao contrário do que se diz, é muito qualificado: são pessoas que têm capacidade económica para fazer um fim de semana numa cidade diferente, e tanto podem escolher Istambul ou Paris como Lisboa. Neste momento, estão a escolher Lisboa, e vêm com uma bagagem cultural grande: vão procurar, juntamente com a experiência gastronómica, de clima e segurança, uma experiência de museus igual à que estão habituados. Está estudado: os turistas que vêm a Lisboa dedicam meio dia à área de Belém. Pode ser que, agora, dediquem umas horas mais...” Até porque será difícil ignorar o MAAT, o novo exemplar de arquitetura-espetáculo em solo lisboeta.

 

O MAAT EM NÚMEROS

12 horas non stop - O edifício abre ao público a 5 de outubro, com doze horas de performances, concertos (com Nástio Mosquito, Dead Combo, Carminho...), visitas guiadas, eventos gratuitos a decorrer entre as 12h e as 24h

 

38 mil metros2 - Este é o tamanho do novo campus à beira-rio

 

€5 - Preço do bilhete de entrada no MAAT

 

1000 m2 - Pynchon Park, da artista francesa Dominique Gonzalez-Foerster, é uma instalação site-specific com cerca de mil metros quadrados, localizada na Galeria Oval do MAAT, e tem por objetivos que os visitantes se tornem parte da própria obra

 

€2milhões - Este é o valor destinado à programação anual do MAAT, oriundo do orçamento global de €14 milhões da Fundação EDP

 

7 - O MAAT “terá sete vezes mais espaço exterior do que interior”, palavras de António Mexia, CEO do Grupo EDP

 

 

Quem é Amanda Levete?

 

A arquiteta britânica concebeu o novo MAAT, inspirada pela “incrível luz mediterrânica”. O seu próximo projeto? Uma galeria subterrânea para o Museu Victoria & Albert, em Londres.

 

Quando se fala em arquitetos-estrela, o nome feminino logo atirado para a mesa será o da desaparecida Zaha Hadid. Mas Amanda Levete, 60 anos, é uma forte candidata ao “A a Z” desse panteão, com o MAAT a exemplificar bem as linhas orgânicas e futuristas pelas quais é reconhecida. Atualmente, o seu atelier, AL_A, tem projetos tão diferentes como a extensão do Museu Victoria & Albert, em Londres, ou uma mesquita em Abu Dhabi. Nascida no País de Gales, Levete formou-se na Architectural Association e um dos seus primeiros empregos foi no ateliê do britânico Richard Rodgers. Aos 30 anos, já cofundara um ateliê próprio. O seu trabalho ganhou impulso ao integrar, em 1989, a Future Systems, do arquiteto checo Jan Kaplicky – o seu primeiro marido (o atual é Ben Evans, diretor do London Design Festival) –, tendo aí ganho um Prémio Stirling pela conceção de um media center, em Londres. Ao jornal The Guardian declarou: “Não desvalorizo o poder do pensamento conceptual, mas para mim a emoção da arquitetura é ver as ideias realizadas, a luta e a superação dos problemas lá fora.” À revista Newsweek, a arquiteta revelou-se encantada com o enquadramento do MAAT: “É a luz, aquela incrível luz mediterrânica.” Não foi a única coisa que a encantou por cá: para o London Design Festival 2014, Levete criou um restaurante pop up com uma montra de conservas portuguesas inspirada por um jantar lisboeta....

 

 

Fonte: Visão
 
 
 
 

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